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Medo de alfabetizar

  • Foto do escritor: Atividades Alfabetização
    Atividades Alfabetização
  • 3 de jun. de 2025
  • 2 min de leitura

Atualizado: 6 de jun. de 2025


Por anos, no dia da atribuição, eu temia o pior: pegar um 1º ano.

Comecei a vida de professora no Ensino Fundamental com um 3º ano em que mais da metade da turma estava entre as hipóteses de escrita pré-silábica e silábica com valor.


Lembro de um dia achar que iria enlouquecer, porque, ao olhar para a sala, ela estava dividida em sei lá eu quantos “cantos” e eu perdida, no meio, sem saber a qual grupo auxiliar primeiro.


Foram anos pegando turmas de 3º e 5º ano, e me desdobrando para fazer atividades diferenciadas para cada hipótese de escrita; e essa experiência me fazia temer o 1º ano, pois, se as crianças chegavam ao 3º e 5º assim, é porque alfabetizar é muito difícil.


No entanto, oito anos depois da minha primeira turma no Ensino Fundamental, não tive escapatória: sobrou o 1º ano. E com aquele aviso super conhecido: “São turmas trabalhosas”.


Não havia o que fazer, a não ser encarar a situação. Debrucei-me sobre tudo o que sabia de alfabetização, li o currículo da cidade em que leciono, comprei tinta e folha sulfite e coloquei mãos à obra.


Lembro, também, de estabelecer um objetivo em minha mente: zerar pré-silábicos.

Foi um ano de muito trabalho. Além de alfabetizar, também tinha que ensinar procedimentos, afinal, no ano anterior, as crianças passavam o dia “brincando”.


Terminou o ano e a turma foi para o 2º ano com menos do que cinco crianças na hipótese pré-silábica. E, as que se encontravam nessa hipótese, tinham suas questões específicas.


Ali, percebi que meu medo era infundado.

Se as turmas que peguei anteriormente tinham o perfil que tinham, provavelmente foi porque algo aconteceu no caminho e elas não tiveram a oportunidade de aprender o que necessitavam desde o início de sua alfabetização.


Nesse um ano aprendi tanto e me encantei tanto com a forma que as crianças aprendem que, a partir daí, sempre que posso, escolho o 1º ano, carregando comigo o objetivo de zerar pré-silábicos; agora, acrescido do objetivo de enviar para o 2º ano o maior número de leitores.


Também segui estudando e descobrindo que muito do que fiz em meu primeiro ano de experiência com essa faixa etária, ainda que sem conhecimento teórico, tinha embasamento.


Hoje, na hora da atribuição, já não tenho mais medo. Se “sobrar” o 1º ano, pra mim, será uma sorte grande.

 
 
 

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